10 de set. de 2007


Mulher
Bruno Kampel

Não quero uma mulher
Que seja gorda ou magra
Ou alta ou baixa
Ou isto e aquilo.
Não quero uma mulher
Mas sim um porto, uma esquina
Onde virar a vida e olhá-la
De dentro para fora.
Não espero uma mulher
Mas um barco que me navegue
Uma tempestade que me aflija
Uma sensualidade que me altere
Uma serenidade que me nine.
Não sonho uma mulher
Mas um grito de prazer
Saindo da boca pendurada
No rosto emoldurado
No corpo que se apóie
Nas pernas que me abracem.
Não sonho nem espero
Nem quero uma mulher
Mas exijo aos meus devaneios
Que encontrem a única
Que quero sonho e espero
Não uma, mas ela.
E sei onde se esconde
E conheço-lhe as senhas
Que a definem. O sexo
Ardente, a volúpia estridente
A carência do espasmo
O Amor com o dedo no gatilho.
Só quero essa mulher
Com todos seus desertos
Onde descansar a minha pele
Exausta e a minha boca sedenta
E a minha vontade faminta
E a minha urgência aflita
E a minha lágrima austera
E a minha ternura elo quente.
Sim, essa mulher que me excite
Os vinte e nove sentidos
A única a saber
O que dizer
Como fazer
Quando parar
Onde Esperar.
Essa a mulher que espero
E não espero
Que quero e não quero
Essa mulher porto esquina
Que desejo e não desejo
Que outro a tenha.
Que seja alta ou baixa
Isto ou aquilo
Mas que seja ela
Aquela que seja minha
E eu seja dela
Que seja eu e ela
Eu ela eu lá nela
Que sejamos ela.
E eu então terei encontrado
A mulher que não procuro
O barco, a esquina, Você.
Sim, você, que espreita
Do outro lado da esquina, no cais,
A chegada do marinheiro
Como quem apenas me espera.
Então nos amarraremos sem vergonha
À luz dos holofotes dos teus olhos,
E procriaremos gritos e gemidos
Que iluminarão todas as esquinas.
Será o momento de dizer
Achei/achamos amei/amamos
E por primeira vez vocalizar o
Somos, pluralizando-nos
Na emoção do encontro.
Essa a mulher
que não procuro
nem espero.
Você, viu? Você!

TE AMO


Essa tristeza que sinto no peito
as vezes acho que não tem jeito

Tentar dar valor no que é amar
acha que é se humilhar

Tentar não discutir
acha que é se iludir

Fazer de tudo para não destruir esse amor
acha que é mal de amor

Amo e quero me sentir amada
caso contrário estou enganada

Quero uma chance de ser feliz
com alguém que sempre sonhei e quis

Porque tem que ser assim
não conseguir ser feliz

Amo e amo muito, fazer o que
se o homem que amo não quer corresponder

Esse amor que causa tanta dor

JOANNA TORQUATO

Meu coração chora
sinto chorar
Calo-me pra ninguém notar:

Que choro, choro, choro
Dos meus olhos lágrimas
tentam brotar

Mas consigo segurar
Dá-me um nó na garganta
E choro, choro, choro

Meu coração em pedaços
Mas tento não demonstrar
Dos meus lábios

Saem sorrisos por obrigação
Para não sair lamentação
E choro, choro, choro

Mas ninguém percebe
Pois não deixo transparecer
Quero motivos para sorrir

Motivo para meu coração sorrir
Mas ele chora, chora, chora
Chora em silêncio
Só a mim ele se mostra
Que chora, chora, chora

Joanna Torquato